Da ideia para o mercado: Nuno e o “Filho do Padeiro”

Por vezes não sabemos o que é preciso para realizar os nossos sonhos e temos receio de começar, quando na realidade tudo o que é preciso é apenas isso… começar. Esta é a história inspiradora de Nuno e do seu projeto Filho do Padeiro.

Licenciado em Cinema (Argumento) pela Escola Superior de Teatro e Cinema, Nuno trabalhou algum tempo na sua área de formação, sobretudo em televisão. No entanto, tinha algumas ideias em mente era apaixonado por fazer pão e sobremesas (principalmente pela plasticidade estética do meio), o que o levou a fazer formação em Pastelaria e Panificação, na Pontinha. 

Depois da formação na área Alimentar a sua vida virou digna de um filme de ação e superação. E, em Agosto de 2018, após o nascimento dos filhos decidiu ficar em casa a acompanhar os seus primeiros meses de vida. Ao mesmo tempo, desenvolvia a sua ideia de trabalhar com fermentações lentas e massa-mãe, conjugando tudo isso, com o seu trabalho por conta de outrem para obter rendimento. Mas Nuno idealizava um conceito de trabalho diferente e não havia muitas padarias abertas à forma com ele planeava trabalhar. 

Contudo, a sua principal motivação era a ideia de ter o seu negócio, Padaria e Pastelaria de qualidade, com produtos nobres, sem a formalidade de Fine Dining (restaurantes finos e altamente requintados). Mas o empreendedor tinha outro motivo muito forte:

Eu tinha uma motivação mais pessoal de poder conciliar um trabalho que me desse rendimento, mas que não me ocupasse 8 horas por dia, ou mais, para poder voltar a escrever sem a pressão da sobrevivência diária. E montar um sistema de produção que me permita trabalhar de dia, sem madrugadas”.

Uns meses depois já tinha a empresa criada, o espaço de trabalho e maquinaria, mas não sabia como avançar. Foi aí, que em janeiro de 2020 surgiu o Menos. “Fiquei a conhecer o projeto menos através do Domingos Guimarães, fundador da Academia de Código e da Live Content. Andava à procura de uma forma de estruturar o negócio e perceber algumas coisas que não eram a minha área de formação e ele aconselhou-me o programa. Uma semana depois tinha feito a inscrição e participei no programa”.

Quando chegou ao Menos o projeto já estava bastante avançado, Nuno já tinha “tudo pronto” para avançar, mas nenhum plano estruturado. Não tinha projeções de vendas, o modelo de negócio precisava de ser afinado e precisava, sobretudo, de ideias que viessem de fora. “O menos foi importante para eu perceber que o mais importante era avançar. A minha natureza é mais contemplativa e gosto de depurar tudo até ficar como quero, mas avançar era fundamental. Para quem entra sem qualquer rede e com uma ideia vaga de negócio é ótimo para testar logo alguns problemas num sítio seguro”. Foi assim que surgiu o Filho do Padeiro.

Filho do Padeiro
Filho do Padeiro

Quando questionado sobre os desafios enfrentados, não houve dúvidas “O desafio maior e recorrente parece-me que é insistir e acreditar nos objetivos que definimos (desde que sejam realistas, claro).  É um desafio psicológico, de tentar olhar para os números com alguma frieza. Nem festejar demasiado quando os resultados superam as expectativas, nem entrar em depressão quando não chegamos lá”. 

Contudo, não é só de desafios que se fazem negócios, Nuno escolheu para o primeiro dia de atividade o dia 14 de Fevereiro de 2020. “Desde aí, houve uma decisão fundamental: manter as entregas depois de decretado o estado de emergência durante a pandemia. Estive quase para parar a produção, mas pensei que não podia deixar de fornecer pão às pessoas. O pão continua a ser o alimento mais importante e não ficaria de consciência tranquila. Decidi continuar e aí houve uma reviravolta. Passei de 12/15 clientes para 150, no espaço de duas semanas. Tive que recusar algumas encomendas porque atingia o limite de produção quase todos os dias”. 

Foi também assim, que conseguiu alguns dos seus melhores clientes que atualmente são a grande maioria das vendas (clientes com avenças mensais). Para além disso, manteve o trabalho diurno, mesmo durante o pico de vendas, o que foi sempre um dos seus objetivos. Quando questionado sobre as decisões de que se arrepende, o empreendedor fala abertamente “Em termos de decisões de gestão, até agora não me arrependo de nada. Claro que há dias em que cometo erros e às vezes a relação com alguns clientes não é fácil de gerir, ainda temos de deitar abaixo “o cliente tem sempre razão”. 

Todavia, os projectos não ficam por aqui, Nuno está a aproveitar a época baixa para preparar o lançamento da carta de pastelaria e de sacos do pão personalizados, produzidos localmente e onde apoia ilustradores portugueses. Está também em contacto com algumas empresas para fazer entrega aos seus trabalhadores. Inclusive, já têm uma parceria em fase de assinatura de contracto.  E até ao fim do ano, o objetivo é estabilizar o número de clientes e manter o contacto com as empresas. 

Para além disso, no próximo ano não está colocada de parte, a ideia de contratar mais pessoas e passar a ter um espaço próprio de produção, quem sabe aberto ao público. Isto e muito mais, a fermentar lentamente pelas mãos de Nuno, que com os melhores ingredientes leva o nome do Filho do Padeiro a outro nível. A garantia, é de continuar a aceitar encomendas de bom pão, artesanal, feito com amor, para alimentar e inspirar os palatos mais exigentes e certamente, surpreender os mais distraídos.

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