Clara e Gui da Baileia Atelier

Da ideia para o mercado: Clara e Guilherme e a “Baileia Atelier”

No Menos acreditamos que a sustentabilidade ecológica deve acompanhar todos os negócios que nascem, independentemente da sua natureza ou setor, pois é responsabilidade de todos utilizar os recursos de hoje pensando no dia de amanhã e nas gerações futuras. Esta é a história motivadora da Clara do Gui e da Baileia Atelier.

O início da estória remete-nos para o ano de 2014 no Brasil, quando Clara e Gui fizerem o primeiro espetáculo juntos. Clara é bailarina, artista educadora e licenciada em Teatro. Guilherme é músico, artista educador e licenciado em artes cénicas.  O espetáculo, com encenação de Fernanda Bevilaqua, era intitulado “Conversas com o Corpo” e era direcionado para bebés e famílias. No final, eram oferecidos lápis de cera a todo o público para fazerem desenhos no chão coberto de papel.

Durante o processo criativo de pintura sobre o pavimento na Baileia, as famílias começaram a questionar se os bebés podiam colocar o lápis de cera na boca e qual o material de que eram feitos. A dupla preocupada com as questões, iniciou uma maratona de pesquisas sobre materiais naturais e ecológicos e a fazer testes para desenvolver um lápis que pudesse ser usados pelos bebés e pelas suas famílias. Alguns meses depois, já tinham os próprios lápis de cera de forma 100% artesanal, com um formato único, ecológicos (70% cera de abelha, 30% cera de carnaúba, com pigmentos artísticos) e que as pessoas podiam ter em casa. E foi assim, que surgiu a Baileia Atelier.

Sendo Mariana Lemos (AFÁRÁ) e Susana Alves (Lugar Específico) grande amigas e parceiras de trabalho, foram elas que, por experiência própria, indicaram o Programa de Ignição do  Menos Hub. “Chegamos ao menos Hub por uma rede de pessoas e afetos no início de 2020 num mundo pré pandémico”. Quando questionada sobre a forma como o Menos ajudou a dar forma ao sonho, Clara responde com uma metáfora. “Hoje sonhei que o chão de casa caia, mas sentia-me super segura, porque as estruturas das paredes estavam muito firmes e resistentes.” E acrescenta “Com a Frederica começamos a construir e descobrir o que pode ser a estrutura do sonho, o que é preciso para sustentar algo. Com o Menos foi e é possível, olhar à volta do sonho, aparar as arestas, afinar a realidade com os desejos e ir construindo devagar cada parede que sustenta o nosso caminho de futuro e presente”.

Quando chegaram ao Menos, Clara e Gui já estavam a testar os lápis de cera há cerca de três anos. Sempre na expectativa de chegar ao mais perfeito possível para então lançá-lo para o mundo. Contudo, um mês depois de finalizarem o Programa de Ignição, o Baileia Atelier foi lançado. “Nunca me esqueço da Frederica dizer que precisamos falhar pequeno. E pensamos, bora lá, bora falhar pequenino, agora mesmo!”

O dia do lançamento da Baileia Atelier, foi sem dúvida uma das principais conquistas dos empreendedores, que muitas vezes ainda pensam “Estava tudo lá, porque não fizemos antes?”. E assim como cada encomenda de lápis de cera “É uma sensação enorme de alegria e comemoração na nossa casa. Parece cliché, mas comemoramos mesmo cada pessoa que encomenda uma caixinha e agora um instrumento musical”.

Mas nem só de conquistas se faz o projeto, os desafios estiveram sempre lá, desde descobrir quem eram os clientes, qual o espaço que o produto, neste caso, o lápis de cera ocupava na vida do casal, uma vez que são também artistas, educadores e artesãos. Qual o público-alvo do Atelier, pois é diferente do público que frequente as aulas, oficinas e espetáculos. E claro, definição do preço do produto, um preço justo para o cliente e para a empresa. “Outro ponto desafiador foi perceber o lugar que o Atelier tem na nossa vida, coexistindo com nossos outros trabalhos. Ajustar as necessidades de tudo aquilo que somos/fazemos sem que uma coisa passe por cima da outra, mantendo a saúde mental e física ainda é um grande desafio pra nós”.

 Questionados sobre decisões das quais se tenham “arrependido”, destacam um momento em particular “Na primeira encomenda para uma loja de revenda estávamos nervosos, calculámos mal e vendemos muito abaixo do preço. Hoje rimos, pedimos desculpa, ajustamos o valor, mas na hora pensamos “Ui, grande asneira! que falta de profissionalismo!”

Atualmente a equipa do Baileia Atelier alcançou o seu público entusiasta, conta com o apoio incondicional dos amigos e amigos de amigos neste início de trajetória. Conseguiram alcançar as metas iniciais propostas e sentem o crescimento orgânico do negócio. Por isso, planeiam o futuro degrau a degrau, de forma levar o projeto a outro nível.  A margem de crescimento é grande, mas precisam de organizar-se e aprender a conciliar vida pessoal e profissional.

Clara e Gui sabem que são bons a começar, mas neste momento o foco será, sem dúvida, em dar continuidade e bases fortes a este sonho. Com carinho, calma e força vão sem dúvida conseguir levar o Baileia a outros palcos, sempre com as palavras da Frederica em mente: “Tu vais falhar, então vai falhando pequeninho”. E com a doce alquimia das abelhas vão espalhando doçura e magia por onde passam. Pois eles sabem que a melhor maneira de tornar as crianças boas, é torná-las felizes.  E quem sabe, com lápis de cera possam pintar novos mundos enquanto brincam.

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